Experiência cultural e gastronômica
Antes de definir o Incitatá apenas como um restaurante, vale frisar que ele é muito mais do que isso. Acabei descobrindo esse lugar por indicação de um (recém) amigo, hóspede do hostel que me hospedei em Belém. Ao chegar lá (com outra recém amiga do hostel) à procura do restaurante, o chef Carlos Ruffel que é também gestor cultural (colega de profissão) e que nos atendeu à porta e foi logo nos corrigindo e apresentando o local: - "Aqui é um projeto de cultura alimentar tradicional da Amazônia, trabalhamos com comunidades locais, que produzem e extraem artesanalmente os ingredientes regionais, com técnicas e preparo herdados dos antepassados indígenas". O resultado desse trabalho cria um ciclo de economia criativa, transformação social, proteção dos conhecimentos tradicionais e conservação da biodiversidade, com o objetivo principal da preservação da Floresta Amazônica.
Além do Icitatá, eu percebi em outros restaurantes que há uma preocupação e uma tendência muito grande com relação a esse patrimônio ambiental e cultural. Que alegria! Bom, mas no Icitatá, sem ter um cardápio muito definido, o chef Carlos disse o que ele tinha de ingrediente e o que poderia fazer e nós aceitamos a sugestão. Funciona assim, meio no improviso mesmo! Quando Carlos nos trouxe os pratos, antes de darmos a primeira garfada, ele fez questão de explicar de onde vinha cada ingrediente, de qual comunidade. Achei muito legal, apesar da fome, mas é preciso quem dê o devido valor a essas coisas!
Um dos prato era um filhote (peixe típico) com farofa de banana da terra e outro de caranguejo também com farofa de banada da terra, acompanhados de uma salada de feijão manteiguinha e linguiça. Tudo uma delícia! Mas o que eu mais gostei mesmo foi da sobremesa, o requeijão de búfala com melaço da Ilha do Marajó. Divino! Pagamos R$30/pessoa.
O local funciona em um sobrado, com apenas um banner na grade de entrada. Tem uma decoração bem ambientada à proposta e muito aconchegante. Há fotos (bem bonitas) de produtores de várias das comunidades que participam do projeto, e dos ingredientes regionais. O Carlos nos contou que também há apresentações culturais, música, sarau, etc.
É preciso reservar para o jantar.


