Missão Artística Francesa Vira Espaço Cultural
Não foi Saramago quem disse: "se podes olhar, vê; se podes ver, repara"? Pois, eu digo, é bem possível apenas passar na Casa França-Brasil só para ver alguma exposição interessante (tem sempre alguma), curtir o café com vista para a Igreja da Candelária, ou mesmo ficar no espaço de leitura deles. Agora, se você "reparar" o lugar irá descobrir vestígios maravilhosos sobre a História do Brasil, marcas de grandes eventos e de todo um embate para preservação ou destruição deste prédio.
A Casa foi uma encomenda de D. João VI ao arquiteto Grandjean de Montigny em 1819. É o primeiro registro de arquitetura neoclássica na cidade. Esse estilo foi muito difundido e mesclou-se as construções barrocas do período colonial. De alguma maneira, é através desta difusão do neoclássico, e dos valores da Missão Artística Francesa, da qual Montigny fazia parte, que podemos perceber o quanto a estética francesa, com ares de cosmopolita, invadiu esta colônia barroca marcando o estabelecimento da corte portuguesa em terras cariocas.
O prédio ficou abandonado e, só em 1984 começou-se a restauração e criação do centro cultural. Foi um processo longo e único, no qual eles inclusive encontraram o cais por onde a comitiva de D. João VI atracou para sua visita à Praça do Comércio em 1820. Eles mantiveram a rampa de acesso no fundo do prédio. É tudo muito interessante, e aos poucos, você pode descobrir tudo isso por lá.
Minha dica é: tire uma tarde e faça programas combinados. Visite a Casa, o CCBB e o Centro Cultural dos Correios. São todos muito próximos e é uma delícia andar pela área. Depois você pode se acabar num dos bares com samba que tem por lá. Samba, Cultura e História, como resistir?


